sábado, 1 de mayo de 2010

O PEIXE QUE QUERIA VOAR

O PEIXE QUE QUERIA VOAR

O peixe chamava-se Paco e sonhava con voar. Não era como os outros peixes, Paco era raro. Os que o conheciam lhe diziam ao o ver olhando para o céu.
-¡Ouve, não estejas tão distraído ou comer-te-á um peixe maior!
Mas Paco não lhes escutava, ele seguia concentrado em seu desejo. ¿Por que queria tanto voar? ¿Talvez lhe vinha de família? Não era por seus antecedentes familiares, isso era seguro, pois em sua família nunca se escutou de peixe algum que quisesse deixar o água por sua gosto. O único de sua família que foi sacado do água, junto com outros peixes cativos, numa gigantesca rede, foi seu tio Luto, do que já não se soube mais.
No entanto, tinha antepassados ilustres. Um tio avô seu participou uma vez na grande maratona de peixes do mar de Chimbote. E seu bisabuelo paterno tinha brigado na guerra das “caballas contra os bonitos”, depois da guerra tinha sido condecorado. A família ainda conservava a medalha que lhe fosse outorgada como lembrança.
Não lhe vinha de família aquele anseio tão particular. O queria voar simplesmente pelo desejo de sentir-se livre como o vento e de conhecer outros lugares. Desejava conhecer a terra, a seus animais e plantas, à humanidade. Desejava conhecer o céu, observá-lo tudo desde o alto e, talvez, chegar à Lua.

Uma vez, foi onde um peixe psíquico que lhe contou que os homens já tinham chegado à Lua, também, lhe contou a respeito de um homem muito sábio chamado Julio Verne quem predisse num de seus livros as viagens espaciais. Inteirou-se, também, por médio do adivinho sobre os pioneiros da aviação humana. Tudo isto naturalmente lhe impressionou. O sabia dos chamados peixes voladores, também, dos delfines e outros peixes que saltavam fora do água; mas não sabia de peixes que realmente voassem como os pássaros. Em isto, obviamente, os peixes não eram capazes de competir com os humanos.
-¡Bons dias, Paco! –disse uma melodiosa e juvenil voz feminina.
Era uma voz conhecida para ele. Tratava-se de um peixe hembra que tinha por nome Catalina e amava a Paco, mas ele… só queria voar. Acercava-se sempre coqueta a Paco, queria que ele a fecundara; mas ele só queria voar.
-¡Ouve, Paco! ¿É que não me vez? ¿Por que olhas tanto ao céu? –gritou ela enfurecida ao mesmo tempo que o mordia.
-¡Ai! ¡Catalina, que te passa! ¡¿É que tens fome?! –gritou adolorido Paco.
-¿Por que não me prestas atenção, Paco?
Já entendo o que passa, é que te cries o centro do universo. Não vês que estou a pensar na forma de voar. ¿Não cries tu que o mais maravilhoso que poder-lhe-ia ocorrer a alguém seria o poder voar?
-Pois, eu acho que há algo muitíssimo mais maravilhoso –disse ela com a voz, ainda, mais melodiosa que dantes.
-¡¿Mais maravilhoso que voar?! –disse intrigado Paco, deixando de olhar ao céu, para fincar seus olhos nela e notar que era muito formosa- ¿Mas que pode ser mais maravilhoso que voar?
-Pois, é algo bem mais maravilhoso e está a teu alcance.
-¿Está a meu alcance?
-Está muito a teu alcance, isto é sempre tem estado, e tu não te dás conta por estar sempre olhando ao céu. Se deixasses de olhar acima ainda que seja um pouco dar-te-ias conta disso que é bem mais maravilhoso e tu não valorizas.
-Faz favor, dime de uma vez de que se trata.
-¿Que não te dás conta?
-Pois… não.
-¡És tão tonto!
E Catalina foi-se, rapidamente, sem dizer-lhe nada mais.
-Mas, Catalina, não me deixes com a curiosidade. Dime que é isso tão maravilhoso…
Paco não entendia por que Catalina actuava dessa maneira tão estranha. E pensar que era ele a quem criam louco. Conhecia a Catalina desde que eram meninos e ela sempre o tinha respeitado, inclusive quando os outros peixes se burlavam dele e de seu sonho de voar. Ainda que quiseram interná-lo num manicomio de peixes, ela se pôs de parte dele; mas agora era ela a rara. Tinha-se posto assim desde que começaram a crescer… A crescer, era verdadeiro. Já não eram uns meninos e ela se tinha voltado uma garota muito curiosa. Claro que Paco tinha notado essa mudança.
Paco vinha de uma família religiosa, uma família que era cuidadosa com o da moral e os bons costumes. À família de Paco não gostava as extravagancias. Paco tinha falado já com seus pais a respeito de aprender química e física na universidade de peixes, com o fim de construir uma máquina voladora; mas estes se tinham enojado com ele e o tinham castigado, sem permissão a sair de sua casa, por uma semana. Desde essa ocasião já não lhes contava nada de seus sonhos. Pôs-se a aprender química e física por sua conta, mediante os livros da biblioteca pública municipal de peixes de Chimbote. E é que os peixes têm suas bibliotecas e instituições educativas num lugar onde não chegam os humanos, pois há sirenas e peixes magos que lhes impedem se dar conta do que realmente há no mar, sempre que os homens chegam com suas naves submarinas e seus trajes de buzos, só conseguem ver o que os peixes querem lhes fazer ver. Isto é necessário devido à cobiça e desejo de poder dos homens.
Em certa ocasião, Paco acercou-se o mais perto possível à praia, pois não é recomendable para um peixe se acercar demasiado à orla do mar, já que poderia ficar varado ou ser comido por uma gaviota. Ademais, a contaminação do mar chimbotano, sobretudo em suas orlas, prejudica a homens e peixes. Mas Paco queria ver a cidade e aos humanos, ainda que fosse de longe. Foi nessa ocasião, também, quando conseguiu examinar as asas de uma gaviota morrida, com o fim de construir mais adiante sua máquina voladora. Observou ao ave desde todos os ângulos e fez comparações com as que voavam no céu. Foi esse um momento histórico.
-¡Paco! –la dulce voz de Catalina nuevamente lo sorprendió.
-¿Ah? ¡Hola, Catalina!
-¿Já sabes que é isso tão maravilhoso?
-¿Isso tão maravilhoso? –respondeu Paco como se não entendesse- Pois… se.
-¡¡Isto é que o sabes!!
-Claro que sim, mas não estou de acordo contigo –contestou distraidamente Paco.
-¿Mas por que? –perguntou chorando Catalina.
-É que… nadar faz-se-me aburrido, eu nadei toda minha vida e não me parece a grande coisa –disse ele enquanto seguia observando as gaviotas.
-¡És um estúpido! –gritou com raiva ela.
Paco voltou-se assustado a olhá-la e notou que tinha estado chorando, quis a deter, então; mas ela se foi rapidamente.
-¡Espera, Catalina! ¡Catalina! ¡Já se foi! –disse Paco lamentando-se, mas não a seguiu.
Foi, então, quando Paco teve que enfrentar uma de suas maiores provas. A malvada bruxa do mar de Chimbote era a encarregada de impedir o progresso e o desenvolvimento. Ela conhecia bem a história do legendario peixe volador que segundo se dizia apareceria num dia para unir a homens e peixes. Tratava-se de uma história fantástica, de uma profecia, de um mito. Mas a bruxa não queria correr riscos com Paco. Assim que enquanto este olhava ao céu lhe lançou uma seta envenenada que felizmente só o rozó, mas o deixou à beira da morte.
Paco desmaiado e mau ferido foi encontrado por Catalina, quem o auxilió; mas o veneno começou a fazer efeito. O médico fez todo o que pôde, mas agora dependia de Paco e de seu desejo de aferrarse à vida. A fiebre fazia-o delirar, sonhava com a grande máquina voladora, sonhava com a fama e a glória, sonhava com Catalina.
Quando abriu por fim os olhos encontrou outros que o amavam. Eram os olhos de Catalina que não tinha deixado do cuidar. Por fim a fiebre tinha passado, seu organismo tinha vencido ao veneno. Agora compreendia com clareza o que não tinha podido ou não tinha querido ver. Compreendia que Catalina o amava. Mas não podia se apaixonar dela, não. Ainda não sabia se em algum dia voaria. E se talvez voava. ¿Talvez, esse seria sua última tentativa? ¿Talvez, morreria cumprindo seu sonho? ¿Que tão alto voaria? ¿Talvez até a Lua? Seguramente teria dificuldades para respirar. E os peixes só respiram baixo o água. Claro que ele tinha pensado na elaboração de uma borbulha que estivesse cheia em sua metade de ar e em sua metade de água. Para isso estava a estudar química. Teria que elaborar a borbulha o mais resistente possível, bem como confeccionarse umas asas que estariam a ambos lados da borbulha e pôr-se-iam em funcionamento desde dentro dela. Se é que não achava algum outro modo de se elevar. Depois, talvez, poderia pensar em se casar, mas agora não. Agora era um joão ninguém. Todos seus irmãos tinham triunfado. Tinham sua própria família e tinham optado por oficios mais práticos. Mas ele seguia sonhando.
Seguiu sonhando assim durante muito tempo. No entanto, suas tentativas foram vãs, em parte devido à grande bruxa que o confundia mediante sua magia para que não tivesse sucesso. Por todo isso se foi cansando e caiu numa grande depresión. Depois soube que Catalina quem tinha ficado huérfana, desde que era uma menina, casar-se-ia obrigada por seu ambicioso tio com um velho peixe, ricachón e feio, a quem ela não amava. ¿Também perdê-la-ia a ela? Talvez, era o melhor, pensou Paco. Com ele não teria tido futuro, ele só era um fracassado, um perdedor.
Já não era importante para ninguém que ele seguisse vivendo. A ninguém importar-lhe-ia sua morte. O mar de Chimbote poderia seguir como sempre e ninguém notaria a ausência do louco peixe que queria voar. Ofereceu-se, então, a um peixe maior para que lho comesse… O peixe ia comer-lhe o, mas quando estava pelo fazer apareceu Catalina e atacou ao peixe para defender a Paco. O peixe grande poderia tê-la matado, mas não o fez. Só se foi, enquanto lhe dizia a Paco.
-¡¿Como podes querer morrer se tens a uma garota como esta que te ama?!
-¡¿Querias-te matar, Paco?! –perguntou-lhe assustada Catalina.
-¿É verdadeiro que te casas cedo? –foi a resposta de Paco.
-Tu, também, te inteiraste disso. ¡Pois, não! Jamais casar-me-ia obrigada e sem amor.
-Então, casa-te comigo.
E casaram-se. Ainda que Paco não tinha muito que lhe oferecer em bens materiais. Mas decidiram esforçar-se juntos para sair adiante… No entanto, o amor não loucura tudo, e Paco não tinha sido curado de seu sonho de voar. Apesar de que como casado tinha novas ocupações e responsabilidades, e ainda que tinha já um filho, seguia em seu tempo livre com seu sonho. Continuava com suas investigações. Esta persistencia de Paco atraiu a ira da bruxa do mar de Chimbote quem raptó a sua mulher e a seu filho.
Paco foi procurar-se à bruxa disposto a enfrentá-la, agora só queria recuperar aos que amava. Mas em seu caminho e como estava a viajar ainda cerca da superfície e distraído, sentiu que o jalaban para acima, o sacando fosse do água. Tratava-se de uma gaviota que o tinha pegado para lho comer, mas Paco estava fascinado. Ao fim estava a cumprir seu sonho de voar e vê-lo tudo desde o mais alto, quase podia tocar as nuvens e seguramente chegaria até o sol. A profecia do peixe volador tinha-se cumprido apesar de tudo. A bruxa não tinha podido o deter. Não importava se ia morrer, o sonho se tinha realizado.
Mas ele não queria que lhe passasse nada a Catalina nem a seu filho… Ele não podia morrer, tinha que salvar a sua família. Devia safarse do bico dessa gaviota. Não podia lhe falhar a Catalina, não podia lhe falhar a seu filho… Sua vida se evaporaba através de suas escamas. Sofria o paradoxo do prazer e a dor enquanto o destino cortava-o ao meio… Então ocorreu o milagre… Outras gaviotas famintas atacaram à que o estava a assassinar para lho disputar, mas isto fez que o ave o soltasse e Paco simplesmente caiu e caiu… Caiu sobre os pescados que estavam na cubeta de uns pescadores, os quais se achavam num pequeno bote. Um deles disse:
-Olha, Roberto, essas gaviotas soltaram este peixe.
-Sim, Carlos, com ele faremos um rico ceviche.
Esse seria o final de Paco ao que parece, após ter realizado aquela maravilhosa façanha, agora que era um herói… Quando achou que o destino lhe tinha dado uma segunda oportunidade… Simplesmente teria um final efémero, já não seria Paco o peixe volador, seria Paco o ceviche… Acompanhado de muito limón, cebolla e cancha…
-Roberto, acho que se este peixe pôde livrar-se das gaviotas é porque tem uma missão nesta vida mais importante que a de ser ceviche –disse Carlos enquanto devolvia a Paco ao mar.
Paco foi devolvido ao mar onde pertencia, ainda que sua alma vivia a vida de um pássaro; mas agora seu corpo estava ferido e manava dele, um grito de vingança, justiça e reinvindicación. Não tinha tempo que perder, devia ir por auxilio às autoridades. O água desenhava ante ele as formas de Catalina e de seu pequeno filho desesperados e ele o estava ainda mais.
-Tem que esperar –disseram-lhe quando foi por ajuda, depois lhe fizeram encher uns documentos.
-¡Ah! ¡Trata-se da bruxa do mar de Chimbote! –então fizeram-lhe esperar mais, para finalmente mandá-lo a esperar a sua casa.
Ao que parece as autoridades não o iam ajudar. Foi, então, a pedir auxilio aos delfines, às baleias, às sirenas…, mas ninguém queria enfrentar à bruxa:
-É inútil -disseram-lhe –até os tiburones e os mais poderosos peixes magos temem-lhe à bruxa.
A bruxa do mar de Chimbote, era mais poderosa que as bruxas de outros mares. Até a rainha das bruxas do mar tinha-lhe respeito, não obstante ser ligeiramente superior a ela. E, por suposto, também, lhe superava em poder o legendario Rei do mar com seu tridente, mas o vivia demasiado longe em seu longínquo palácio, ao que não podia chegar qualquer peixe. Era óbvio que Paco se achava só. O único que lhe ficava por fazer era pedir clemência à bruxa.
-Libera a minha esposa e a meu filho e prometo-te que nunca mais tentarei voar –disse-lhe quando foi à ver.
-¡Mas soube que já voaste!
-Isso foi só um acidente, em realidade eu tinha pensado fazer um artefacto volador, mas aqui te trago o resultado de todas minhas investigações.
E mostrou-lhe uma espécie de borbulha que tinha traido consigo. Era grande como para dois tripulantes, mas não tinha asas senão mais bem uma plataforma, e uns botões. Podia-se ingressar na borbulha atravessando-a com o corpo, pois era flexível e não se rompia.
-Assim que já o ias conseguir –disse rindo a malvada bruxa- Agora converter-te-ei em pedra como fiz com tua mulher e teu filho, e como fiz com aqueles que quiseram voar como tu.
-¡¿Dime por que tanto ódio?!
-¿Queres sabê-lo realmente? Teve um tempo em que todo era felicidade no mar de Chimbote. O equilíbrio e o progresso iam da mão. Nesses tempos minha magia protegia o bom, mas depois a escuridão foi-se apoderando de muitos de nós e só ficam poucos peixes magos que façam o bem. Tu és um deles, Paco. Teu persistencia é uma poderosa força mágica e por isso terás que morrer.
-Bom, mas primeiro terás que me atrapar –disse Paco ingressando na borbulha e pondo-a em funcionamento- Todos estes anos estudando química e física me serviram de algo.
O aparelho começou a elevar-se rapidamente por propulsão. A bruxa furiosa introduziu-se dentro, também, tratando de deter a Paco; mas num instante já estavam a voar sobre o oceano. Era algo realmente maravilhoso. Um momento bem mais emocionante que quando Paco voasse inicialmente com a gaviota. Desta vez se tinha-o conseguido por se mesmo. Paco era realmente o legendario peixe volador… Mas faltava uma pergunta para responder… Se já tinha a máquina ¿por que não a tinha usado dantes? ¿Por que teve que ser a gaviota a que o fizesse voar pela primeira vez? Não importava alguma razão teria ele, de todos modos eram instantes supremos.
Para a bruxa, no entanto, era o Apocalipsis, a cabeça tinha-se-lhe caido aos pés ou melhor dito à bicha, a raiva tinha dado passo ao temor e ao desconcerto. Não atinaba a fazer nenhum movimento. Paco estava preparado, no entanto. Saltou da nave accionando logo um mecanismo, com o controle remoto que tinha na boca, para endurecer a borbulha. A bruxa não podia sair. A nave seguiu ascendendo e ascendendo e ascendendo…
Paco golpeou-se um pouco ao cair ao água, mas sobreviveu. Foi em procura dos seus. Ali estava Catalina e seu filho. Ali estavam muitos peixes que dantes tinham sido convertidos em pedra pela bruxa. ¿Mas que tinha ocorrido com a bruxa? Paco não tinha desenhado em seu aparelho volador nenhum mecanismo para respirar, fora do água, ainda. E a nave tinha-se elevado até o espaço. A bruxa simplesmente tinha-se asfixiado e seu feitiço tinha-se rompido.
O bem sempre triunfa. Como em todas as boas histórias, o herói salva a sua amada. O mau é derrotado. Por isso há festa no mar de Chimbote. É a homenagem que se faz ao invencible e indestructible, ao ingenioso, ao gigante e generoso, Paco o peixe volador que venceu à malvada e horrível bruxa.
NOTA.- Por suposto, desde então Paco foi muito feliz com Catalina e seu filho; mas este relato não inclui a história de como construiu sua segunda máquina voladora e dos novos perigos que enfrentou. Isso será parte da seguinte aventura de Paco o peixe volador…

PABLO ALBERTO TORRES VILLAVICENCIO

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